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Crítica: Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood


Nos anos 70 e 80 grande parte da bilheteria nacional era dominada pelos comediantes Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, um quarteto fantástico que lançava um sucesso atrás do outro. Foi em 1981 que eles lançaram Os Saltimbancos Trapalhões, que mesmo tendo passados 36 anos, continua sendo considerado por todos como um dos melhores filmes dos Trapalhões, tanto pelo tom crítico quanto pela ousadia do período da ditadura, já que o filme trazia canções de Chico Buarque.


Na década de 90, com a crise se alastrando no país e também no setor cinematográfico e uma mudança no comportamento do público, os filmes dos Trapalhões foram se tornando cada vez mais raros e com menos público, o último filme que encerrou esse ciclo foi lançado em 1999, O Trapalhão e A Luz Azul e infelizmente o longa foi um fracasso tanto de público quanto de crítica. Porém 18 anos depois, os Trapalhões estão de volta as telonas do cinema, com Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood.


No filme o Grande Circo Sumatra está em meio a uma crise financeira, desde a proibição do uso de animais no espetáculo, em função disso, Barão (Roberto Guilherme), o dono do circo, acaba aceitando emprestar o espaço das sessões circenses para eventos políticos e de leilões de gado, no entanto Didi (Renato Aragão) e a artista Karina (Letícia Colin) acreditam que a realização de um musical aonde os atores se vestissem de animais poderia atrair novamente o público e tirar o circo da crise e assim vão em busca disso.


O roteiro desenvolvido por Mauro Lima (do fraco Tim Maia), traz uma espécie de continuação, misturada com um remake e também uma singela homenagem ao clássico filme de 81, porém devemos deixar bem claro que o filme é uma releitura da obra de Chico Buarque para os dias atuais, aonde a política e a extinção dos animais nos espetáculos ganham um destaque bem grande no arco dramático. Mauro utiliza a ingenuidade de Didi em um tom lúdico, em geral sempre quando ele está dormindo ou sonhando, para que não tenha uma quebra no tom original e essa escolha certamente vai acabar agradando os fãs que assistiram ao filme original e consequentemente não desagradará o público mais jovem que está atrás de um humor diferenciado. Assim como ocorreu em 81, Mauro consegue explorar muito bem as letras de Chico Buarque e as transforma como parte da narrativa, sendo que, existe uma canção inédita nesse que presta uma homenagem ao cinema.

A direção de João Daniel Tikhomiroff consegue se conter para não abusar do tom emotivo que infelizmente o filme causa pelo simples fato de ser produzido, já que traz a volta dos Trapalhões para as telas do cinema, ainda revive um clássico, tanto que na cena final é possível se emocionar bastante. Falando nisso, o longa inteiro tem cenas maravilhosas, muitas delas são nas apresentações musicais, já que as releituras das canções ficaram mais empolgantes e as coreografias são incrivelmente vibrantes, o grande destaque fica por conta de um dueto envolvendo Renato Aragão e Livian Aragão, pai e filha que voltam a contracenar juntos depois de 18 anos.


Mesmo tendo grandes acertos, o longa possui alguns problemas, um deles é o excesso de personagens e assim muitos acabam sem função dentro da trama, ficando um entra e sai de personagem que por diversas vezes não fazem a menor diferença para a narrativa. Alguns atores erraram a mão na composição de seus personagens, talvez pelo simples fato de não estarem habituados com a comédia, como é o caso da personagem de Alinne Moraes que acaba exagerando a personagem Tigrana e se transformando em uma vilã bastante caricata e nada convincente. Existem ainda alguns errinhos no roteiro, mas nada que atrapalhe sua narrativa. Outro erro aqui é em questão da escolha equivocada do título, já que ele apresenta um rumo a Hollywood, só que isso nem existe no filme.


Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo A Hollywood é uma belíssima homenagem a esse quarteto que fez e escreveu uma parte da nossa história no cinema brasileiro. Levem a família inteira para assistir, se divertir e se emocionar com essa trama tão lúdica.

Nota: 9.0/10

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